Os contos de Roberto Bolaño, mestre na forma curta, condensam todo o universo literário do autor, um dos mais insurgentes e singulares das letras contemporâneas. São histórias povoadas por personagens em constante errância, das franjas da América Latina às cidades espectrais da Europa: poetas obscuros, criminosos moralmente ambíguos, mulheres enigmáticas, exilados em busca de um lugar só seu.
Como num plano previamente desenhado pelo autor, um «campo minado» legado aos seus leitores, personagens e fios narrativos entrelaçam-se compondo uma espécie de ficção total, um organismo vivo, que abre incontáveis possibilidades de associação com as suas partes e o restante da sua obra, como são exemplo as aparições em vários destes textos dos famosos detectives selvagens Belano e Ulisses Lima, ou a ligação entre o primeiro e o último conto, jogos literários que somente uma leitura continuada, num único volume, pode proporcionar.
Organizado por ordem cronológica, Contos Completos inclui todos os contos escritos por Bolaño: quer os volumes já publicados (Telefonemas e Putas Assassinas), agora em nova tradução, quer os inéditos em Portugal (O Gaúcho Insuportável, O Segredo do Mal e O Contorno do Olho), revelando a potência de uma voz que irrompeu como uma novidade e sacudiu o cânone literário tornando-se um fenómeno mundial.
| ISBN | 9789895895519 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 624 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Cavalo de Ferro |
| Categorias |
Livros > Literatura > Prosa Narrativa
Roberto Bolaño
Roberto Bolaño nasceu em 1953, em Santiago do Chile, filho de pai camionista e de mãe professora. A sua infância foi vivida em várias cidades chilenas (Valparaíso, Quilpué, Viña del Mar ou Cauquenes) e a passagem pela escola atormentada pela dislexia. Aos quinze anos a família mudou-se para a Cidade do México. Durante a adolescência leu vorazmente, escreveu poesia – e abandonou os estudos para regressar ao Chile poucos dias antes do golpe que depôs Salvador Allende. Ligado a um grupo trotsquista, foi preso pelos militares e libertado algum tempo depois. De volta ao México, fundou com amigos o Infrarrealismo, um movimento literário punk-surrealista, que consistia na «provocação e no apelo às armas» contra o establishment das letras latino-americanas e suas figuras de proa, de Octavio Paz a García Márquez. Nos anos setenta, Bolaño vagabundeou pela Europa – lavou pratos em restaurantes, trabalhou nas vindimas ou como guarda-nocturno de parques de campismo -, após o que se instalou em Espanha, na Costa Brava, com a mulher e os dois filhos. Aí, dedicou os últimos dez anos da sua vida à escrita. Fê-lo febrilmente, com urgência, até à morte (em Barcelona, em Julho de 2003), aos cinquenta anos. |


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