O que pode um poema, simples artefacto verbal, fazer num mundo obsidiado por imagens, ruído e fúria que pretende normalizar a vigilância e a privatização, inclusive do território dos sonhos?
Num mundo caótico, fragmentado e alienante, ser como um fio de prumo, ferramenta que utilizámos para encontrar a verticalidade, a rectidão, o alinhamento correto entre desníveis e desigualdades?
Tecida por poemas que remetem para canais de televisão, tecnologia e fenómenos culturais, a obra Fios de Prumo procura poeticamente uma autenticidade no desolado escombro da vida quotidiana. Vida mediada pelas redes sociais, onde a ironia deixa de ser um escudo para se tornar uma encenação compulsiva, e pelos ditames da Inteligência Artificial que nos exorta a delegar a nossa voz a algoritmos que simulam a profundidade sem o gene da reflexão e da justiça.
Nunca rasurando a faculdade de os media reivindicarem o seu lugar nos novos mundos possíveis como estúdios da criação, laboratórios do conhecimento, da imaginação, da memória e da beleza moral, a obra manifesta também obstinada atenção à herança e ao testemunho do que, tendo sido dilacerado e perdido, sonha agora, face à devastação da ferida secreta, com uma possível reparação e morada na consciência lúcida e na insurreição da palavra.
| ISBN | 9789897854163 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 176 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Gradiva |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Jorge Gomes Miranda
Jorge Gomes Miranda nasceu em 1965, no Porto, cidade onde vive e trabalha. Ex-crítico literário do jornal Público. É autor dos seguintes livros de poesia: O Que Nos Protege (Pedra Formosa, 1995); Portadas Abertas (Presença, 1999); Curtas-Metragens (Relógio D’Água, 2002); A Hora Perdida (Campo das Letras, 2003); Postos de Escuta (Presença, 2003); Este Mundo, Sem Abrigo (Relógio D’Água, 2003); O Caçador de Tempestades (& etc, 2004); Pontos Luminosos (Averno, 2004); Requiem (Assírio & Alvim, 2005); Falésias (Teatro de Vila Real, 2006); O Acidente (Assírio & Alvim, 2007); Velhos (Teatro de Vila Real, 2008); Resgate (Fundação Serralves, 2008); El Accidente (Quálea Editorial, 2009); Nova Identidade (Tinta da China, 2021); La Herencia (Libros del aire, 2022); A Última Pedra (Assírio & Alvim, 2022). Organizou ainda antologias literárias e escreveu uma novela: O Transplante (Porto 2001, 2002). |


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