Mas o contraste não me esmaga — é o livro que tem entre mãos. Foi editado por ocasião da exposição Na vidraça há o ruído do diverso, de Hugo Canoilas, Thomas Kratz e Giannis Varelas, e construído a partir de um princípio universal, definido por André Breton, fundador do movimento surrealista, de objectividade do acaso, isto é, conduzido pelos bons serviços da intuição e suportado na crença de que esta é uma categoria fiável. Sabemo-lo desde sempre, o livro é uma entidade propiciadora de relações esotéricas; o simbolismo deste objecto universal provém não tanto do sentido das palavras que necessariamente transporta, mas de uma condição intrínseca e única: repousa, em attente e em tensão, íamos dizer atenção, fechado sobre ele próprio como um túmulo ou um poço.
Mas o contraste não me esmaga — é, em acepção lata, um livro de desenho, um livro que remete para si enquanto objecto e enquanto projecto. Não tem a ambição de sintetizar o mundo, mas algumas das articulações que propicia são dessa ordem — mediúnicas. Na locução polissémica e profética de Mallarmé, «le monde est fait pour aboutir à un beau livre.»
| ISBN | 9789723712698 |
|---|---|
| Ano | 2007 |
| Número de páginas | 144 |
| Capa | Brochado |
| Editora | Assírio & Alvim |
| Categorias |
Livros > Artes > Arte
Vários
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