Névoa na Sala é um romance que nasce da zona mais densa da experiência humana: a memória ferida, o corpo em estado de guerra, a consciência atravessada pela culpa e pela sobrevivência. Vencedor do Prémio Mia Couto 2025, este livro afirma-se como uma das obras mais radicais e singulares da literatura contemporânea em língua portuguesa. Construído a partir de uma escrita de alta intensidade, o romance organiza-se em vozes que não se sucedem de forma linear, mas se interpenetram, como camadas de uma mente em permanente confronto consigo mesma. Guerra, internamento psiquiátrico, violência, amor e loucura não surgem aqui como temas, mas como matérias orgânicas da linguagem: tudo é corpo, tudo é respiração, tudo é ferida aberta. Escrito a partir de uma experiência africana da violência e do desamparo, histórica, política e íntima, Névoa na Sala recusa qualquer forma de exotismo ou reconciliação fácil. Entre monólogos dilacerantes e poemas inscritos nas paredes de um espaço fechado, o livro constrói uma cartografia implacável do trauma, onde o amor surge simultaneamente como abrigo precário e força destrutiva. Esta é uma obra que transforma a memória traumática num gesto literário de rara verticalidade ética, capaz de confrontar o leitor com aquilo que resiste à linguagem — e, ainda assim, exige ser dito. Névoa na Sala é impossível de ignorar — e impossível de esquecer.
| ISBN | 9789899265554 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 176 |
| Capa | Brochada |
| Editora | The Poets and Dragons Society |
| Categorias |
Livros > Literatura > Prosa Narrativa
Mélio Tinga
MÉLIO TINGA é escritor de ficção, designer de comunicação e professor universitário. Autor de dez livros publicados em Moçambique, Portugal e Brasil, é vencedor do Prémio Literário Mia Couto 2025 – Melhor Livro do Ano com Névoa na Sala e do Prémio Literário Imprensa Nacional–Casa da Moeda / Eugénio Lisboa 2020 com Marizza. Vários dos seus textos foram adaptados para teatro e cinema. Em 2024, foi nomeado uma das 100 Personalidades Negras Mais Influentes da Lusofonia pela revista Bantumen e seleccionado para a bolsa AléVini, pela Comissão do Oceano Índico (COI). Em 2023, venceu a Residência Literária de Lisboa e recebeu o Prémio das Indústrias Culturais e Criativas (PREICC), atribuído pelo Ministério da Cultura e Turismo. É ainda vencedor do BLOG4DEV 2021, do Banco Mundial, e do prémio de letras de música SensaSons (2012). É co-fundador da Catalogus e vice-presidente da Associação Cultural da Universidade Pedagógica de Maputo (ACUP).
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