Akáki Akákievitch vive como se não existisse. Funcionário público humilde e solitário, passa os dias a copiar documentos numa repartição de São Petersburgo, ignorado e ridicularizado pelos colegas. Ninguém repara nele. Ninguém imagina que, por detrás daquela figura apagada, existe um homem capaz de sonhar. Quando o seu velho capote deixa de o proteger do frio implacável, Akáki é obrigado a poupar tudo o que pode para comprar um novo.
Durante meses, abdica das pequenas comodidades da sua já singela vida e deposita naquele objeto todas as suas esperanças. Para ele, o capote será muito mais do que uma peça de roupa: será a possibilidade de se tornar alguém. E, por um breve instante, o impossível acontece. Akáki é finalmente visto, respeitado e convidado a pertencer ao mundo dos outros. Até que uma noite altera o rumo da sua existência, expondo a fragilidade da condição humana.
| ISBN | 9789895707973 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 192 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Alma dos Livros |
| Categorias |
Livros > Literatura > Prosa Narrativa
Nikolai Gógol
Nikolai Gógol nasceu em 1809, na cidade de Sorotchintzii, situada na Pequena Rússia, atual Ucrânia. Estudou no Liceu Nejin. O pai, proprietário de terras, faleceu quando ele tinha dezasseis anos.Em 1828, partiu para São Petersburgo. Segundo uma das lendas, que ele próprio criou, a primeira coisa que fez ao chegar à cidade foi visitar Púchkin. Ao certo sabe-se que gastou cerca de 350 rublos em roupas novas, deambulou em busca de emprego e publicou dois poemas que escrevera dois anos antes. Hanz Kuechelgarten foi recebido com silêncio apenas interrompido por uma impiedosa crítica no Telégrafo de Moscovo. Gógol e o seu criado foram às livrarias comprar todos os exemplares disponíveis e queimaram-nos.Em agosto desse ano, Gógol viajou pelo norte da Alemanha, de onde regressou em finais de setembro para ingressar na função pública.No início de 1830, publicou o seu primeiro conto, com a assinatura «OOOO».Em 1834, com o apoio de alguns amigos literários, é nomeado professor assistente de História Mundial da Universidade de São Petersburgo, matéria em que era bastante ignorante. Em 1835, publicou dois volumes de contos com o título Mirgorod e Taras Bulba.É nessa época que escreve O Nariz, a história dum infeliz cujo nariz se separou dele. É também nesse período que escreve O Inspetor-Geral, cuja representação em 1836 foi autorizada por Nicolau I, sendo ainda hoje considerada por alguns a maior peça de teatro escrita em russo.Em junho de 1836, Gógol parte para o estrangeiro, onde viverá até 1848, regressando à Rússia apenas por breves períodos.É já na Suíça, em outubro de 1836, que começa a Primeira Parte de Almas Mortas, que continuará nos anos seguintes em Paris. Em 1837 e 1838, está em Roma, onde conclui O Capote. Em 1842, publica a Primeira Parte de Almas Mortas (da Segunda Parte apenas deixou os primeiros capítulos).Entre 1842 e 1848, viaja de um para o outro lado à procura de inspiração e saúde. Depois regressa a Moscovo, Odessa, Vassilevka e, em 1852, novamente a Moscovo, onde acaba por falecer.Como escreve Nabokov, «Nikolai Gógol, o mais estranho poeta prosador que jamais produziu a Rússia, morreu numa quinta-feira de manhã, um pouco antes das oito horas, a 4 de março de 1852, em Moscovo. […] O esgotamento físico total resultante duma greve de fome voluntária (com a qual a sua melancolia mórbida tentara opor-se aos desígnios do Diabo) culminou numa anemia aguda do cérebro (associada, provavelmente, a uma gastroenterite devida à inanição), e o tratamento de purgas e sangrias vigorosas a que foi submetido apressou a morte dum organismo já gravemente diminuído pelas sequelas da malária e da má alimentação».
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