Uma poesia que precipita-nos ao limite da nossa própria consciência :
“Sinto nos dedos o peso das palavrasda coragem dos outros
Fecho portas com as mãos suadasde se crerem o corpo inteiro
As vírgulas ganham novas posiçõesnas mesmas frases de sempre
Continuo na cadeira sem abrir os olhos
Já não há tempo para envelhecerem leitos de palavras breves”
Em sete capítulos, como as sete notas capazes de
guardar todos os sons do mundo, o poeta João
Guilhoto apresenta o seu novo livro “Rasto de espuma”,em que traz a poesia à luz da dicotomia de um mundono qual separam-se, como opostos, os conceitos doconcreto e do abstrato.
Assim como a eletricidade, o sol, a noite, o coração, apoesia de Guilhoto revela a vida como “rasto deespuma na areia molhada”, algo que existe apenas porum breve instante, e some sem deixar vestígio, naquiloa que chamamos universo.
Nas palavras do prefaciador Ronaldo Cagiano, são as questões existenciais a seiva que alimentaeste livro, em que o poeta nos revela uma outra dimensão das coisas, navegando o texto nestemar que une o tangível e o percebido, o visível e o onírico. Sobretudo, o poeta investiga o poderde atração dos corpos, o dele próprio, o do ser amado, tão concreto como todas as coisas / tãoabstrato como todas as possibilidades.
Seria a vida uma abstração, seria a escrita apenas uma mentira? Seria possível ao poeta ler nasentrelinhas dos sonhos? Nos versos de Guilhoto, brinca-se com o efêmero, flerta-se com aeternidade em uma leitura que acolhe, reflete, repercute e faz sorrir das coisas simples, da cenado sol batendo nos vidros dos carros, da nossa expetativa vã de posar para a esperança no eterno.
É isto, a poesia de João Guilhoto precipita-se – precipita-nos – ao limite da nossa própriaconsciência, e da própria existência, essa liberdade da flor que a leva a murchar mesmo que o solbrilhe, uma tarde sem receio quando temos um mundo ainda por inaugurar.
Deste mergulho fundo nas questões sem resposta, nas dúvidas eternas que passam longe daciência, João apenas nos adverte: está quase a começar o tempo das grandes despedidas.
| ISBN | 9789899069367 |
|---|---|
| Ano | 2023 |
| Número de páginas | 106 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Gato Bravo |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
João Guilhoto
Nasceu em Lisboa em 1987 e vive atualmente na Alemanha. Lançou o seu primeiro livro no Brasil em 2015: “O livro das aproximações”, uma coleção de fragmentos. Publicou vários contos, poemas e crónicas em publicações como a Folha de São Paulo, a LER, a Cult, e o Jornal Rascunho. “Rasto de espuma” é a sua primeira coleção de poesia. |


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